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Crédito cresce há 20 meses
As operações de crédito permanecem a todo vapor mesmo diante do aumento do custo das captações dos empréstimos. Em julho, o total de financiamento realizado pelo sistema financeiro brasileiro alcançou R$ 1,085 trilhão, crescendo pelo 20 mês consecutivo, em alta de 1,7% em relação ao mês anterior, 16% no acumulado do ano e 32,7% nos últimos 12 meses.
O volume já representa 37% do Produto Interno Bruto (PIB). É um recorde histórico como proporção PIB desde o início da pesquisa, em 1994, e superou o recorde anterior alcançado em 1995 (36,85%), conforme revelou ontem o Banco Central.
A despeito do avanço do crédito, o chefe do departamento econômico do Banco Central, Altamir Lopes, mantém a expectativa de que as operações alcancem 40% do PIB no final do ano. Para ele, o aperto da política monetária surtirá efeito. "Esperamos que as taxas apresentem acomodação no longo prazo."
A autoridade monetária admite que a alta da Selic ainda não surtiu efeito sobre as operações de crédito. Mas já vê impacto sobre o custo de captação dos recursos. Em julho, o juro cresceu em todas as modalidades. Na pessoa física, a taxa média subiu de 49,1% anuais, em junho, para 51,4% em julho. É a maior desde janeiro de 2007 quando ficou em 53,3%. Em igual mês do ano passado, a taxa era de 47% ao ano.
O juro subiu também para os empréstimos destinados às empresas. A taxa saltou para 27,5% anuais, ante 26,6% em junho. É a maior variação desde agosto de 2006. Em julho do ano passado, a taxa era de 23%. O spread bancário para pessoa jurídica subiu para 14,5 pontos, ante 13,9 pontos no mês anterior.
Na média, a taxa de juro cobrada pelos bancos (pessoas físicas e jurídicas) ficou em 39,4% ao ano em julho, 1,4% a mais que no mês anterior, 5,6% no acumulado do ano e 3,5% nos últimos 12 meses. Lopes observa que a taxa de crescimento das operações já começa a desacelerar nos últimos 12 meses, ainda que seja em uma velocidade considerada "muito tímida". Em junho, diz, a taxa havia crescido 33,4%. "Com emprego e renda em alta o crédito tende a demorar mais para desacelerar."
Ele diz que as operações permanecem bastante fortes impulsionadas pelas operações de leasing, sobretudo para a aquisição de veículos por pessoas físicas. Apenas as operações de leasing para pessoas físicas totalizaram R$ 49,044 bilhões em julho, 7,8% mais sobre o mês anterior, 62,7% no acumulado do ano e 141,7% nos últimos 12 meses.
Além disso, ele destaca que o crescimento reflete os empréstimos feitos por pessoas jurídicas para capital de giro. O crédito com recursos livres às pessoas físicas totalizaram R$ 369,2 bilhões em julho, 2,3% a mais que em junho, 16,3% no ano e 30,7% em 12 meses. Já o estoque destinado às empresas totalizou R$ 336 bilhões, alta de 2,4% no mês, 22,4% no ano e 46,3% nos últimos 12 meses.
Lopes não quis comentar a possibilidade de o governo aplicar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de leasing para inibir a demanda. Como o leasing não tem a alíquota, acaba tendo um custo mais baixo em relação às demais operações de crédito.
Lopes garante, entretanto, que a inadimplência tem permanecido estável no geral, embora a de pessoa física tenha oscilado para 7,3% em julho, ante 7,0% em junho, puxada pela taxa do cheque especial (de 8,0% para 8,3%).
A tendência para agosto é que o crédito continue em alta. Os dados parciais, compilados até 13 de agosto, mostram que a taxa cresceu 1,8% tanto para pessoa física como para jurídica. E o juro continua elevado, com destaque para o cheque especial que chega a 165,4% nos primeiros nove dias úteis do mês.
Considerada "impraticável" pelo Banco Central, a taxa do cheque especial chegou a 162,7% anuais, ante 159,1% junho. Ambas são as maiores desde agosto de 2003 (169,3%). Ainda assim, o valor está aquém do que já foi no passado, quando chegou a 294% em julho de 1994. A taxa média do spread bancário para pessoa física saiu de 34,7 pontos percentuais, em junho, para 36,6 pontos em julho, a maior desde fevereiro deste ano.
As instituições financeiras permanecem elevando o prazo médio para o pagamento das prestações, para que as prestações se ajustem no orçamento do tomador dos recursos. Em julho, o prazo subiu para 467 dias. É o maior da série da pesquisa. Nos últimos 12 meses, o prazo médio já foi ampliado em 41 dias, com destaque para pessoa física, com quase 59 dias a mais. Fonte Gazeta Mercantil - Viviane Monteiro
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